Medicina Dentária

A Medicina Dentária o que é ??

É essencialmente a área da saúde humana responsável pela prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças que podem afectar todo o sistema estomatognático. Abrange não só as peças dentárias como também os tecidos de suporte (nomeadamente as gengivas e o osso), a língua, a mucosa oral, as articulações, os ligamentos, os músculos mastigatórios, o sistema vascular e nervoso, a face e o pescoço. Este sistema é a unidade funcional do organismo que se encarrega da mastigação, da fala e da deglutição, mas os seus vários componentes desempenham também um papel importante no paladar e na respiração, sem esquecer que interagem com os sistemas adjacentes.

Perante um sistema complexo e muito sofisticado o objectivo da medicina dentária é o de reabilitar o indivíduo em termos de saúde, função e estética, de forma a que o paciente se sinta bem consigo próprio e com o meio que o envolve, ao comer, ao falar e ao sorrir.

O que trata ??

Existe uma multiplicidade de patologias que podem afectar a cavidade oral, assim, a Medicina Dentária subdivide-se em diversas especialidades, cada uma mais direccionada, para cada tipo de problema:

Medicina Dentária Preventiva / Higiéne Oral

Tal como o próprio nome indica é a área da medicina dentária que aposta na prevenção do aparecimento das doenças e/ou lesões da cavidade oral, seja no osso, dentes, mucosas ou gengivas, apostando também na manutenção dos tratamentos realizados e na melhoria estética, de forma a permitir um sorriso mais bonito e saudável ao longo do tempo.

Instruir os pacientes acerca da técnica correcta de escovagem oral e da sua importância e promover as visitas assíduas ao médico dentista constituem o caminho para a prevenção e detecção precoce de eventuais patologias. O médico dentista ou o higienista oral pode aplicar determinadas medidas como a destartarização (limpeza dentária - um adjuvante no controlo da placa bacteriana), o alisamento radicular, o polimento dentário e a aplicação do jacto de bicarbonato. Pode socorrer-se de exames imagiológicos (ortopantomografia – ou rx convencional – para detecção de lesões de dente e osso), pode achar necessário fazer a aplicação tópica de fluoretos (que fortalecem o esmalte), de vernizes dessensibilizantes ou optar pela aplicação de selantes de fissuras (um verniz protector, que evita o ataque, nestes espaços, por parte do ácido das bactérias que causam as cáries). Deste esforço resultam vantagens evidentes para o paciente, tanto em saúde como económicas.

Patologia Oral

Existe um grande número de problemas orais que devem merecer atenção redobrada por parte do médico dentista, nesta categoria podemos incluir lesões como vesículas, aftas, herpes, liquen plano, exostoses (tórus – alteração óssea benigna), quistos, tumores, doenças das glândulas salivares, cancro oral, entre muitos outros. Normalmente é o médico dentista o primeiro a detectar a anomalia.

Assim podemos definir Patologia Oral como sendo a área da Medicina Dentária que se ocupa da prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias dos tecidos moles (gengivas e mucosas) e duros (dentes e ossos) da cavidade oral, socorrendo-se inúmeras vezes de técnicas histoquímicas, imunoistoquímicas e de análise laboratorial, seja atravês de biópsias e/ou exérese da lesão e respectivo tratamento.

Odontopediatria

Ter consciência e despertar cedo para a saúde oral é fundamental. Incutir bons e correctos hábitos de higiéne oral, uma alimentação saudável e visitar com regularidade o dentista, desde tenra idade, são essenciais para que o pequeno paciente mantenha, sem medos ou fobias, esses hábitos ao longo da sua vida. Há sempre uma abordagem calma, tranquila, divertida, de conquista da confiança e aceitação por parte do menor e que não lhe causa qualquer trauma. Passará a encarar as consultas de medicina dentária como uma experiência gratificante.

Manter uma dentição saudável até à idade adulta é o principal objectivo da odontopediatria. Acompanhar o desenvolvimento musculo-esquelético da face e das peças dentárias pode prevenir e até evitar o aparecimento de problemas que numa fase posterior do desenvolvimento (adulta) teriam dificil resolução.

Ortodontia

A Ortodontia é a especialidade da medicina dentária responsável pela prevenção, estudo, diagnóstico e em última análise pelo tratamento do posicionamento incorrecto e/ou má-formações das peças dentárias, dos problemas de desenvolvimento ósseos da maxila e mandíbula e das alterações que daí resultam, quer estéticas, quer funcionais. Há um conjunto de exames imagiológicos, nomeadamente a ortopantomografia e a teleradiografia ou radiografia de perfil, que em conjunto com modelos da boca, fotografias e história clínica do paciente, permitem elaborar um estudo (cefalometria) e o consequente plano de tratamento.

As irregularidades dentárias e faciais tais como: o apinhamento dentário, a má oclusão, mordida aberta, mordida fechada, mordida profunda, entre outras, atravês de técnicas cada vez mais inovadoras (ex: aparelhos ortodônticos e ortopédicos), podem ser corrigidas, restabelecendo e devolvendo o sorriso e a saúde oral ao paciente.

Cirurgia Oral

Pretende-se que a prática da medicina dentária seja cada vez mais conservadora das peças dentárias e inúmeras têm sido as técnicas e inovações que ajudam o médico dentista nessa prática, no entanto, deparamo-nos muitas vezes com dentes que apresentam cáries muito extensas e/ou fracturas e cuja viabilidade de se manterem na cavidade oral é nula, dentes inclusos que não erupcionaram, dentes cujo tecidos de sustentação (gengiva e osso) é quase inexistente, entre muitas outras situações, e que nos conduzem inevitavelmente à extracção dentária, ou seja, ao acto cirurgico que dá o nome à especialidade da medicina dentária.

Apesar de não serem tão frequentes, todas as lesões e patologias da cavidade oral e estruturas que lhe são próximas, tais como os quistos, tumores, lesões da língua e mucosas, que necessitem de intervenção cirurgica, são também da responsabilidade da Cirurgia Oral. Existem reabilitações mais complexas que necessitam muitas vezes de recorrer à cirurgia oral, por razões ortodônticas ou protéticas, podemos ter que extrair dentes, remover freios ou até modificar a gengiva de forma a obter melhores resultados.

Estética e Dentisteria Estética – Componentes da Reabilitação Oral

SORRIR com qualidade e satisfação é o objectivo final de toda a reabilitação oral. As várias áreas da medicina dentária convergem afim de reabilitarem o paciente, devolvendo a estética perdida e a função. A aparência dos dentes pode afectar significativamente a forma como se sorri por isso é importante ouvir o paciente, determinar quais as suas preocupações e inseguranças e avaliar o que melhor se adequa ao seu caso.

Cada vez mais, se torna possível mostrar ao utente qual o resultado que pode esperar no fim da intervenção reabilitadora e assim apaziguar alguma ansiedade. Os médicos dentistas socorrem-se de restaurações estéticas em resina composta, facetas em cerâmica, técnicas associadas à estética da gengiva, coroas, branqueamentos, entre outros meios, que possibilitam melhorar os aspectos menos estéticos do sorriso e que proporcionam um resultado final duradoro e bastante satisfatório. Desde, remodelar a forma dos dentes, corrigir pequenos desalinhamentos, fechar diastemas e até remover manchas do esmalte, tudo se tornou possível graças a técnicas cada vez mais inovadoras e cosméticas.

Periodontologia

A Periodontologia é a área da Medicina Dentária que se dedica ao diagnóstico e tratamento dos problemas dos tecidos de suporte ou implantação dos dentes, ou seja, do osso alveolar, das gengivas, do ligamento que une o osso ao dente e da camada de cimento da raíz.

A doença periodontal pode ter duas vertentes: a Gengivite e a Periodontite. A acumulação de placa bacteriana e a consequente formação de tártaro são o elemento desencadeador deste problema. Se não eliminados, as gengivas começam por ficar vermelhas, dolorosas e sangrantes, e nesta fase mais activa, estamos perante uma gengivite. Esta pode rapidamente evoluir para os restantes tecidos, afectando o osso e ligamentos, instala-se a periodontite que pode culminar com a perda das peças dentárias.

No caso de notar mau sabor ou mau hálito e se reparar que as suas gengivas apresentam uma cor alterada ou que sangram com facilidade, ou até mesmo que os dentes apresentam mobilidade, é possível que esteja a sofrer de doença periodontal. Recomenda-se a visita ao seu Médico Dentista. Ele certamente o aconselhará relativamente a qual será o melhor tratamento para a resolução dos seus problemas de gengivas e osso.

Endodontia

A dentição natural é irrigada e inervada, assim, quando estamos perante um quadro clínico de dor, infecção e/ou inflamação temos de obter atravês da observação directa (no caso de cáries e/ou fracturas muito extensas) e/ou atravês de rx (em casos menos óbvios, de traumatismo ou com presença de abcesso) o diagnóstico de que a polpa dentária foi afectada. A endodontia é a área da medicina dentária que se dedica ao tratamento destes problemas.

O tratamento endodôntico (desvitalização) permite solucionar situações em que a cárie, a erosão ou o desgaste do esmalte e dentina, traumatismos ou doenças peri-apicais tenham afectado a polpa. A infecção e as bactérias são eliminadas, substituindo e posteriormente preenchendo esta porção do dente, com material biocompatível, com o principal objectivo de selar o espaço deixado pela câmara pulpar e respectivos canais tornando-o hermético. Assim reabilitamos a peça dentária de forma a mantê-la em boca.

Este tratamento poderá ser realizado numa sessão única ou em sessões múltiplas, dependendo do grau de dificuldade da intervenção e do problema que a afecta. Termina sempre com a restauração dentária da estrutura remanescente através de materiais restauradores ou até mesmo coroa. Ter em conta que um dente desvitalizado não fica imune a novas cáries, podem ainda surgir situações de fracasso endodôntico, tornando-se necessário o seu retratamento.

Oclusão

A Oclusão é área da Medicina Dentária que se dedica ao diagnóstico e tratamento de todos os problemas que se relacionam com o abrir e fechar da boca, ou seja, com o ocluir. A maneira como os dentes superiores e inferiores se posicionam e inter-relacionam em conjunto com os músculos da mastigação e a articulação temporo-mandibular (ATM), constituem o sistema responsável pelos movimentos dos maxilares durante a sua função normal.

Os problemas oclusais, em muitos casos, manifestam-se através de sintomas que podem ser confundidos com dores de cabeça, de ouvido, ou até por dores musculares na zona do pescoço ou coluna vertebral (parte cervical). Cansaço muscular da zona da face, dificuldade de movimentos (trismo, desvios laterais), dor na articulação e/ou estalidos são outros dos sintomas que podem também ocorrer. Hábitos como roer as unhas (onicofagia), ranger/apertar os dentes (bruxismo), má postura da cabeça durante o sono e o morder objectos (por exemplo extremidade do lápis/caneta) podem relacionar-se com a disfunção das ATMs. Outros factores agravantes podem ser a ansiedade, o stress e a depressão.

Avaliar tanto a morfologia como a funcionalidade dos componentes do sistema mastigatório é essencial para a obtenção de um equilíbrio dinâmico entre as estruturas, só assim podemos intervir rapidamente quando necessário e evitar a evolução de patologias redutoras da qualidade de vida.

Implantologia

Reabilitar oralmente um paciente passa também por substituir o(s) dente(s) perdido(s) por algo que restabeleça a função e a estética. Técnicas cada vez mais evoluídas permitem o uso de implantes: estrutura de titânio tratado que será introduzida e ancorada no tecido ósseo e que irá basicamente funcionar como uma raíz artificial, sobre a qual será colocada uma coroa em porcelana.

O implante é uma excelente opção para reabilitar a perda de um único dente, no entanto se estivermos perante uma ausência dentária mais extensa, a colocação destes possibilita substituir as habituais próteses removíveis (acrílicas e esqueléticas), que causam por vezes dificuldades de habituação e desconforto ao paciente, principalmente pela sua falta de estabilidade e fixação à arcada remanescente, por outras, que combinadas com os implantes melhoram substancialmente a fixação e estabilização da prótese. Isto permite melhorar extraordinariamente a qualidade de vida do paciente, consegue-se qualidade-custo-benefício praticamente ideal para o utente, constituindo neste momento o melhor tratamento para colmatar a perda dentária.

Reabilitação Oral - Prótese Fixa e Removível

Substituir as peças dentárias perdidas é essencial na preservação das funções e estética do sistema estomatognático. As opções são diversas e é da competência do médico dentista assistir o paciente na escolha do que melhor se adequa à sua situação clínica. Assim podemos recorrer a sistemas fixos ou removiveis:

A prótese fixa utiliza estruturas dentárias que permitem substituir parte ou a totalidade da coroa do dente, utilizando a raiz deste como suporte, (facetas, coroas, “pivots”), ou substituir toda a peça dentária perdida, utilizando os dentes ou raízes vizinhas da zona comprometida (ponte fixa). Muitas vezes este tipo de reabilitação não é possível, pelo que as próteses removiveis constituem uma alternativa. Estas podem ser:

  • Acrílicas – são feitas em acrílico, podem substituir um dente ou todos, podem ter ganchos que ajudam à retenção, são mais económicas e apoiam-se na mucosa gengival que recobre o osso alveolar.
  • Esqueléticas – neste caso, não podem ser totais pois necessitam de alguns dentes que optimizem a sua retenção e função, o esqueleto é feito numa liga metálica e a área dos dentes e gengiva é recoberta de acrílico. Durante a mastigação apoiam-se essencialmente nos dentes, costumam ser mais resistentes e confortáveis.
  • Flexíveis – a principal diferença relativamente às anteriores é serem muito mais leves e de fácil adaptação por serem feitas numa resina especial.

Odontogeriatria

Tal como é importante as crianças visitarem o médico dentista com regularidade, é igualmente essencial que esse hábito se mantenha ao longo dos anos. A qualidade de vida melhorou, a esperança de vida aumentou e a consciência da importância da saúde oral tem vindo a mudar. Preservar e aumentar a longevidade das peças dentárias do paciente adulto torna-se uma prioridade. É perfeitamente normal que com a idade determinados problemas possam surgir na cavidade oral, no entanto, a grande maioria tem solução. O que é importante reter é que a qualidade da saúde oral passa muito pela prevenção e pelas visitas regulares ao médico dentista.

A Odontogeriatria é a area da Medicina Dentária que se dedica ao diagnóstico e tratamento dos problemas de saúde oral dos pacientes idosos.